Domingo, Janeiro 29

"no caso em exame parece ter tido uma influência decisiva a ação pedagógica da cega do fundo da camarata, aquela que está casada com o oftalmologista, tanto ela se tem cansado a dizer-nos, se não formos capazes de viver inteiramente como pessoas, ao menos façamos tudo para não viver inteiramente como animais, tantas vezes o repetiu, que o resto da camarata acabou por transformar em máxima, em sentença, em doutrina, em regra de vida, aquelas palavras, no fundo simples e elementares."
"Ensaio sobre a cegueira", José Saramago

1) Queria postar mas não tinha nada demais para dizer.

2) Sempre aos finais de tarde de domingo, quando me ponho a pensar sobre como detesto este primeiro e tedioso dia da semana, acabo por concluir que ele não é de todo tão mau, já que pelo menos não é preciso levar o lixo escadas abaixo até a frente da casa.

3) Como futura professora de inglês ou escritora ou astronauta ou agente do FBI que serei, por hoje, desmontarei computadores em casa mesmo, a fim de fazer de um computador ruim, um médio e um bonzinho dois... um pouco melhores que isso. Enquanto isso, com os três gabinetes virados em simples pedaços de matéria esverdeada com fios descabelados em volta, continuarei a ler o livro do Saramago - ainda me lembro da Carol perguntando: "gosta de Saramago?", ao que eu respondi "Que isso?". E não sei se mencionei no post anterior meu novo talento - sou agora também eletricista. Ou talvez ainda a melhor definição para todos esses talentos seja dizer que eu sou metida, não tenho medo de estragar hardware ou morrer eletrocutada.

4) Amanhã definir-se-á minha situação no IPA, e a minha vida rumará entre o caminho "Letras - Inglês em 2006" ou "Vestibular UFRGS 2007". Obviamente será uma pena perder a oportunidade, "com a bolsa na mão", e obviamente terei meu pai fazendo tudo o que pode para que ela não me escorregue dos dedos mas... O que tenho a fazer agora é esperar. Comentários, depois.

5) Até que escrevi bastante, embora não o suficiente. Mas como tenho que desligar o computador para desmontá-lo, vou ficar-me por aqui.


o Pedro fugindo pela casa com alguma coisa do Vicente, que o persegue gritando "pare já aí antes que eu te pegue ou peça a alguém pra te pegar!".

  -21:47 -()

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Sábado, Janeiro 28

só pra constar,
I SEE YOU THERE.


Saibas que não sou eu uma rapariga qualquer, uma desprovida de miolos, uma trouxa (ops, livro errado). Estou a assistir tudo atenciosamente, a esperar pelo momento de esconder-me, defender-me e salvar-me. Não sabes quem sou, não há-me decifrado e muito menos conquistado minha confiança. Estou a observar suas jogadas, espertas que sejam, mas serei eu a dar o xeque-mate.

Isso se você estiver agindo da maneira suja que suponho que podes estar, é claro.
Não posso concluir nem que sim nem que não, mas a vida há-me ensinado a manter um pé atrás para o eventual apoio se vier um inesperado empurrão. Infelizmente não somos mais crianças, o que significa que nossa inocência já foi há muito abandonada.

Estou a trabalhar, sim, trabalhar, em plenas férias. Não no meu emprego do CPD, mas no nos-so pequeno projeto do que seria posteriormente uma empresa, Assim, disse ela, Não nos separaremos com o fim das aulas na ETCOM, porque continuaremos a trabalhar juntas. Projetos de gente grande, responsabilidade de gente pequena. Mas um dia, não é amora, aprenderemos a aproveitar melhor o tempo antes do fim dos prazos.

Respeitando a regra, sempre que estou a fazer algo de útil e importante, vem-me uma inspiração enlouquecida para postar, mensagens a transmitir, recados a anunciar, lembretes a reiterar. Vejo-me no entanto livre de preguiça, portanto creio que conseguirei dar conta da enorme lista de afazeres que bolei para o dia de hoje.

Mas vou-me agora, só queria lembrar que eu posso até dormir, mas sempre mantenho um olho aberto.
Por que você iria querer me machucar? Seria uma grande falta de caráter. E eu ainda...
Mas não esqueça do olho aberto. Sempre aberto.


Noel Gallagher - Teotihuacan

  -13:52 -()

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Quinta-feira, Janeiro 26

we don't bother anyone
we keep to ourselves
the mailman visits each of us in turn.


"Shit Towne", do Live. Ó maldição, como eu te odeio maldição, maldição que me fez perder a vontade de ouvir músicas do Live, músicas lindas do Live, desde aquele maldito dia em que eu saí ferozmente com a minha bicicleta, sem medo dos carros, cantarolando "The Distance" com seus sugestivos versos I've been to pretty buildings all in search of you, por causa da maldita maldição!

Nada novo ainda sobre a bolsa. Ó maldito dia em que quase escrevi um maldito e-mail me vangloriando da maldita bolsa, bolsa essa que escorre por entre os meus dedos só me fazendo ter mais vontade de estudar na maldita UFRGS. Problemas com malditos e-mails, malditos servidores de pop3, smtps e sabe-se lá se não também problemas com os malditos usuários.

Bem lembrado, por falar em usuários, os malditos usuários, me verei livre do batente por um mês, nas minhas férias que começam na semana que vem. Ó malditas férias, maldita vontade de ficar em casa dormindo e lendo e lendo e dormindo e de repente sair com pessoas, não malditas pessoas, pessoas que eu amo, é claro. Ó maldito cansaço, que me faz acreditar às vezes que nem gosto do meu trabalho, eu gosto daqui. Mas por causa da maldita sobrecarga estou cansada demais, mas agora terei um merecido descanso, infelizmente sem o maldito salário. Ora, que direito tenho eu de querer ser paga pelas horas inertes que passarei na minha maldita cama. Maldita sim, lembram que ela adora me derrubar?

Férias em Porto Alegre - não quero ir para a maldita praia. Férias em porto alegre me lembram meu quarto. Ó maldita bagunça, maldita bagunça terrível que povoa meu quarto e me devasta cruelmente me cansando só de pensar em começar a arrumar. Com os pés jogo as malditas roupas no maldito sofá e me enrolo no maldito edredom, sem me dar ao trabalho de esticá-lo. E caio no mais profundo e maldito sono!

Bom será também para interromper forçadamente um hábito ritualístico criado recentemente com a Nana. Ó malditos hábitos ritualísticos, hein Nana, por que nós sempre fazemos isso? Ainda se os nossos rituais fossem visitar crianças em orfanatos ou pessoas doentes em hospitais ou algo engrandecedor e purificante como isso mas não, nossos malditos ímpetos auto-destrutivos... Vamos pôr em prática mesmo aquele maldito plano dos cofrinhos? Vamos ficar malditamente ricas!

Oh sim, quase me esqueço de comentar sobre meus novos óculos para olhos podres e quase bons. Ó maldito olho direito com seus sete graus de miopia e maldito olho esquerdo que para se sentir também uma vítima da doença - com medo de receber menos atenção que o irmão - teimou em ter 0,5 que subiu para 0,75 só para que eu não esquecesse que ele também é dodói. Na verdade, pelo fato de ter um olho malditamente podre e outro quase bom, eu enxergo até bem sem óculos, o que dava força a minha maldita aversão a usar óculos, sem conseguir muito bem me imaginar como uma pessoa que usa óculos o tempo todo. O pior de tudo é pensar que o maldito grau pode não ter se estabilizado - o que possibilitaria uma cirurgia corretora - por eu ter usado pouco os óculos anteriores. Maldita seja eu!

É incrível usar esses óculos na rua, eu nunca tinha visto o maldito mundo tão nitidamente. Falo sério. Também é muito melhor para ler, já estou quase terminando de ler o segundo Harry Potter para começar a ler o livro que a Carol me emprestou, "Ensaio Sobre a Cegueira" de José Saramago. Bem apropriado, tendo eu já mencionado meu maldito problema com meus malditos olhos enfermos!

Chega desse maldito post, quero trocar também esse maldito layout, mas só de pensar em abrir o maldito photoshop eu sou invadida por uma onda gigante de uma maldita preguiça. Ó maldição!

  -17:44 -()

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Terça-feira, Janeiro 24

sure, fine, whatever.

Sure.
Se no último post as palavras fluíam como um rio caudaloso, hoje a situação é uma tenebrosa estiagem. Por alguns motivos chatos e desanimadores relacionados à minha bolsa do prouni, aliás, foi doloroso mas - nunca um aprendizado é inútil - concluí que ser pré-selecionado e conseguir a bolsa são duas coisas bem distantes. Ainda há alguma chance de conseguir mas... já começo a me imaginar vivendo esse ano em função do vestibular da UFRGS. Um consolo é que eu acredito que as coisas acontecem exatamente do jeito que devem acontecer.

Fine.
Apesar de estar desanimada com isso eu estou bem, lá no fundo de dentro de mim as coisas estão em paz, só um pouquinho tristes. Estou me esforçando em iniciativas de reanimação, mas eu tenho PAVOR de coisas meio-resolvidas. Acho que eu preferia a resposta definitiva de que eu não vou conseguir do que a dúvida de que talvez eu ainda consiga. Pavor.

Whatever.
Tem uma música linda do Incubus que diz "Whatever tomorrow brings I'll be there with open arms and open eyes (O que quer que aconteça daqui pra frente eu esperarei de braços e olhos abertos)", mas na prática eu não sou nem um pouco assim. Fico totalmente sem o chão de hoje se não tenho a perspectiva de amanhã. É desesperador ter que continuar com isso pendente, odeio coisas pendentes, quero uma resolução, quero me programar, quero comprar cadernos e organizar materiais escolares, quero guardar expectativas em gavetas e ter o meu ano todinho impresso em um calendário que não tenha apenas os números e nomes dos dias, mas também seus acontecimentos. E se não for pedir demais, eu queria fazer faculdade de letras esse ano. Mas se for...

  -17:51 -()

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Domingo, Janeiro 22

rainy sunday afternoon, whatever else is there to do?

"O nome do livro era A arte da sobrevivência.
Toda religião precisa de uma bíblia, e eu encontrei a minha na hora exata. Li o livro em dezoito horas, e comecei novamente. Aprendi como me manter viva por várias semanas em mar aberto quando meu transatlântico naufragasse. (...) À deriva, num barco a vela, você recolhe a água da chuva que se armazena nas velas. Mas, diz o livro, se as velas estiverem sujas ou o convés incrustado de sal, a água recolhida será inútil.
(...)
Como ela me conhecia mal. Ela se interessava por mim, queria realmente que eu achasse um lugar confortável com um salário decente. Mas eu preferia viver no deserto sozinha, como um velho explorador. Só precisaria de uma pequena fonte de água. Qual a vantagem de viver solitária no meio de gente? Vivendo sozinha, você tem pelo menos uma boa razão para a solidão."

Janet Fitch, "White Oleander"

Depois de alguns dias respirando a fragrância venenosa das "Flores Brancas de Oleandro" mais do que qualquer outra sensação, substância ou atividade se fazendo presente nas horas que se seguiam com o passar desse tempo (aquele mesmo que se resume a uma mera espera de um segundo após o outro, uma simples repetição de horas depois de horas, dias depois de dias e anos depois de anos), finalmente terminei o livro de Janet Fitch, cuidadosa e magistralmente confeccionado palavra a palavra com o melhor tecido que pudesse ser encontrado.

Quero permitir-me divagar livremente, usando do resto do aroma das flores nas minhas narinas, usando da inspiração trazida pelas mais de quatrocentas páginas melancólicas da história de Astrid Magnussen, me perguntando entre um parágrafo e outro se em nenhum deles Janet falou por si, sobre si, com suas próprias palavras. É o que os escritores fazem, é o seu triunfo e a sua magnetude, a utilização de tantas pessoas e vidas diferentes para contar a mesma história sempre, a sua.

Que originalidade posso eu imaginar para mim se eu estou imitando o estilo dela nesse post? Digamos que eu não faria isso em uma obra que eu considerasse minha. Esse é apenas um texto, uma divagação livre. Façam de conta que eu não o postei no blog, que eu o escondi junto com as outras coisas que eu não mostro a ninguém, segura na minha autenticidade fingida. Ora, eu só queria tecer algumas linhas minhas com a técnica de costura utilizada por Janet em White Oleander, sua facilidade para encorporar metáforas como se fossem pequenas histórias independentes enredadas dentro da história principal, dando-lhe apenas mais veracidade e beleza.

Romantismo, disse a Nana, quando eu tentei descrever minha primeira impressão do livro. Os detalhes, as descrições, a imaginação dando seu toque em cada aspecto, dando uma nova possibilidade a cada fato concreto. Eu não tencionava escrever um post inteiro sobre um livro, sobre um estilo de escrever um livro. Eu queria apenas escrever e foi isso o que saiu.

Tenho uma agenda praticamente em branco do ano passado que virou um projeto de biografia. Um dos "capítulos", se posso chamá-los assim, tem o título "Vou escrever um livro". "O que fazer com isso, com essa condição que me foi dada, com essa porção de cromossomos que eu possuo, dispostos diferentemente de como estão nas outras pessoas, como leds ligados e desligados, piscando, zeros e uns, uma máquina, mas não, é de meu cérebro que falo. Ele é doente, ou é privilegiado? Quem tem o direito de responder? O que fazer com esse oceano de pensamentos, com essa floresta de questionamentos, com esse deserto de respostas sem perguntas, perguntas sem respostas, correndo em direções aleatórias? Vou escrever um livro.", digo.

Uma história, ficção, uma redação, uma dissertação gigante, uma obra de arte, um texto medíocre. Não sei o que é nem quanto tempo levará para ficar pronto - se é que vai ficar pronto antes de ser abandonado, a metade das páginas ainda em branco, a idéia de, quem sabe, copiar umas letras de música, fazer uns desenhos, colocar umas fotos para terminar, só para alguns anos depois entrar em mais uma arrumação de gavetas e ser considerado lixo inútil, um retrato patético de como eu era ridícula com dezenove anos, como era arrogante em pensar que já sabia muita coisa mas na verdade não sabia de nada. O reconhecimento de que eu sempre fui assim. Quem sou eu para chamar alguém de arrogante? Quem pode dizer se meus textos de vinte e dois anos serão melhores que os de dezenove, que os de dezenove são melhores que os de dezesseis, assim como esses eram melhores que os de treze?

Por que tudo termina rasgado ou molhado dentro de uma sacola abandonada na calçada, rotulado de lixo inútil e prova concreta de infantilidade, imbecilidade e despreparo? Sou tão melhor hoje do que era ontem, quando era muito mais esperta do que fora anteontem, que era muito mais adulta do que tinha sido no dia antes de anteontem. Ainda sou uma criança. Quando terminarei de crescer? Quando serei grande o bastante, pronta o bastante, sábia o bastante? O bastante para quê? O que vem depois do fim dessa fase?

Se um bolo fosse minha metáfora para o crescimento, o que representaria na realidade o momento em que ele já está assado, fora do forno, cortado em fatias e é devorado?

Eu devo parar de escrever antes que as pessoas desenvolvam um medo doentio de mim, principalmente eu mesma.

Ontem fazia calor em contraste com a chuva, era o dia mais apropriado possível para isso e eu cortei uma franja no meu cabelo, curta, para perturbar minha testa, com minha tesoura da época do jardim de infância, metade amarela e metade rosa, que corta torto no papel e mastigava os fios castanhos que brilham azul. Eu sempre me arrependo, mas não importa o quão torta ela esteja, dessa vez eu gostei da minha franja.

E agora eu posso voltar a ler "Harry Potter e a Câmara Secreta", talvez no próximo post eu venha dizer como eu desejaria ser Hermione Granger e dizer com sotaque britânico carregado as palavras invernus eternalicius, decretando com o simples movimentar da minha varinha que eu nunca mais precisaria sentir calor.

Por fim, eu ainda preciso registrar que eu moldei meu cabelo com uma ferramenta mágica de placas metálicas e tive como resposta o seguinte, ao perguntar a opinião do meu irmão de seis anos: "acho que esqueci de escovar meus dentes, mas o seu cabelo está assustador".

silverchair - Pins In My Needles

  -20:15 -()

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Quinta-feira, Janeiro 19

white oleander is poisonous, I don't know why people grow it.

Com certeza além de alguns layouts, o filme "Deixe-Me Viver" (White Oleander) já rendeu bastante assunto nesse blog, estão lembrados? Bem, desde que eu descobri que o filme fora inspirado em um livro, procuro o dito cujo em livrarias para comprar, e nunca encontrava. Até que ontem, finalmente, encontrei "Flores Brancas de Oleandro" e comprei. O filme é ótimo, um dos meus preferidos, mas o livro... O texto de Janet Fitch é inebriante, envolvente, leve e viciante. Já tinha começado a ler "Harry Potter e a Câmara Secreta", mas comecei a ler trechos de "Flores..." e não consegui mais largar. Agora estou lendo os dois simultaneamente. Parece que esse não vai ser o ano dos filmes, como 2005, e sim o ano dos livros!

Hoje acordei bem cedo e fui para Alvorada com o meu pai, porque ele trabalha lá. O intuito era mandar fazer um novo óculos em uma ótica que além de barata era de um conhecido dele. Mas antes disso fui na agência da Caixa onde ele trabalha, conheci os colegas dele (o gerente geral tinha um ar meio arrogante, que me lembrou...), a mesa dele, o pc com tela de LCD dele e até o café que ele toma por lá - não tão bom quanto o da CA, evidentemente, mas ótimo. Fui apresentada a todos, algo como "essa moça é a minha filha", ao que respondiam "a famosa...", e não soube muito bem como me comportar para não evidenciar meu ar natural de antipatia - que no meu caso eu prefiro chamar de timidez. Devo ter dado uns sorrisinhos forçados, mas fazer o que. Além de tudo, eu estava morrendo de sono.

Depois dessa aventura matinal eu voltei para Porto Alegre, almocei em casa e vim trabalhar ligeiramente atrasada. Fui na faculdade de Odontologia, resolvi dois problemas e cheguei no CPD, satisfeita, perto das 15:00h. De lá até aqui estou trabalhando em um HD que estou consertando, algo bem chato e demorado, mas mais confortável de fazer aqui do que em alguma outra parte da UFRGS.

Meu objetivo não era narrar o meu dia, mas eu queria escrever, queria postar, provavelmente motivada pela inspiração abundante de White Oleander em sua versão escrita. Agora já sei o que ler quando estiver querendo postar mas não estiver conseguindo. =)

  -18:32 -()

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Quarta-feira, Janeiro 18

I don't want to get what you can't give
I can't buy what I want because it's free.


Queria achar uma frase mais "aniversarial" pro título, mas não resisto a esses trechos maravilhosos de "Corduroy", do Pearl Jam, que eu to ouvindo agora. Aliás, já não é mais meu aniversário oficialmente, o chato do blogger vai colocar "18 de janeiro" e tudo o mais, mas como eu ainda não fui dormir, ainda considero como sendo o dia do meu aniversário. =P~~

Bom, o orkut virou um grande aliado na hora de não esquecer aniversários... E de não ser esquecido! Com esse grande novo meio de comunicação ninguém fica sem pelo menos uns scrapzinhos mesmo que não faça festa pra comemorar... Mas eu só falei em scraps porque queria comentar um que me tocou em especial. Claro que eu amei todos e em especial os das pessoas mais queridas, mas em termos de mensagem, alguém disse "agora começa o seu ano, e não no dia 1° de janeiro. Faça esse novo ciclo valer a pena". Achei isso lindo e apropriadíssimo pra minha fase atual de renovação, reciclagem, recomeço. E começou bem meu vigésimo ciclo! ^^

Com o acúmulo de afazeres, nem quis fazer festa. Aliás, eu prefiro festa de aniversário dos outros, certamente dá menos trabalho... =P~ Mas hoje eu tinha realmente muitas coisas pra fazer. Continuei correndo atrás dos documentos que preciso levar no IPA, tirei fotos 3x4, tive consulta com o oftalmologista (novo óculos, finalmente!), voltei pra casa pra almoçar correndo com mamãe, irmãozinhos e minha avó, que veio especialmente pra me ver e tals. Depois fui trabalhar como se fosse um dia normal (tive até que lidar com HD estragado e coisas desse nível!). Aí a Nana me deu de presente um lanche de comemoração no McDonald's, que foi bem feliz. =)

Ainda trabalhei mais um pouco, e depois a Cacá foi me buscar. Desde que a gente se conhece, nunca tínhamos passado juntas um aniversário meu, porque eu sempre ia pra praia em janeiro. Foi feliz também, ela me esmagou, nós conversamos, viemos aqui pra casa, ela esmagou meus irmãos e quase estragou os brinquedos deles (como de costume), nós comemos, depois levei ela na parada e voltei pra casa. Logo em seguida minha tia e vizinha veio me ver também e depois que ela foi eu finalmente coloquei minha confortabilíssima camisola e me atirei no sofá começando a ler "Harry Potter e a Câmara Secreta". Eu ia começar ontem a ler o livro do Nietsche que eu comprei, mas com esse humor de correria-animação-cansaço-felicidade eu só podia ler alguma coisa leve como HP. Que aliás é um amor, um amor.

Eu não costumo muito fazer nem gostar de fazer posts tão "diarinho", mas hoje foi um daqueles dias que precisam ser relatados em algum lugar, e o lugar escolhido foi o blog, até pra substituir aquele post tão desanimado que eu tinha deixado aqui há vários dias. Gostaria de agradecer ao sistema solar, à natureza, à cidade de Porto Alegre, todos os livros, filmes e músicas que eu gosto e principalmente às minhas pessoas, enfim, tudo o que torna possível a minha existência e faz dela uma viagem não fácil, porém linda.

Tá, eu me puxei nesse desfecho hein.
É influência da trilha sonora, estejam certos!


Pearl Jam - Better Man

  -00:49 -()

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Sexta-feira, Janeiro 13

... e é por isso que nós estamos todos aqui nesse mesmo mundo vivendo todos amontoados e cheios de problemas.

Parece que repentinamente o céu se fechou (fenômeno esse que aconteceu de verdade hoje, aliviando um pouco o maldito calor). O sol foi encoberto pelas nuvens e a alegria foi encoberta pelas dificuldades. De vez em quando eu tenho vontade de ficar quietinha no meu canto sem me preocupar com deveres importantes de gente grande. Lendo um livro, pensando, descansando.

Eu sei que deixei em casa meu quarto bagunçado, minha cama quebrada (parece que meu conserto não funcionou muito bem) e em algum lugar, perdido, o meu ânimo. E também a minha paciência. Principalmente a paciência de explicar como eu me sinto e por que sinto isso.

Tem dias que eu esqueço como é ser uma pessoa solícita e compreensiva e me tranco em uma pequena cela de egoísmo, com barras enferrujadas de pessimismo e um silêncio tranqüilo de solidão. E é por causa de momentos de mesquinharia como esse que todos nós somos parte do mesmo saco de farinha chamado vida, planeta terra ou como preferirem. Penando dia a dia até aprender alguma coisa. E enquanto não aprendermos, continuaremos sofrendo das mesmas dores.

Ontem eu e a Bárbara passamos cerca de cinco horas lutando por nossas vagas no IPA. Quando saímos de lá, com a coisa quase garantida, ela chorou de felicidade e eu me perguntei por que é que eu não conseguia chorar, se também queria.
E agora me pergunto a mesma coisa.
Não que eu queira chorar agora, seria constrangedor, eu estou trabalhando. Ora bolas.

  -14:56 -()

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Quinta-feira, Janeiro 12

don't look at me with a smile, don't act like everything's fine.

Deus, eu odeio ficar tanto tempo assim sem postar.
Ah, eu odeio ficar tanto tempo assim sem postar.
Que droga, eu odeio ficar tanto tempo assim sem postar.
Puxa vida, eu odeio ficar tanto tempo assim sem postar.
*Insira aqui uma interjeição, não consigo escolher qual*, eu odeio ficar tanto tempo assim sem postar.

Bem, eu lembro que na última vez que eu cogitei postar essa semana, aí por esses dias, eu pensei em escrever sobre o quanto significou para mim ter conseguido a bolsa no IPA, o fato de que não vou precisar ficar um ano inteiro estudando para cinco dias de prova na UFRGS, precisar com isso reaprender física, química e outras matérias que eu já mal lembro que existem, entre um monte de outras coisas. Mas como eu não escrevi na hora em que eu pensei em escrever isso, a idéia que eu realmente queria expressar se perdeu.

Eu tenho trabalhado muito, eu digo, muito mesmo. Eu provavelmente sempre digo isso, pelo menos desde que eu estou no NSI, mas agora é mais do que qualquer outra vez. Meu colega está de férias, então todos os atendimentos são comigo. Não que eu não esteja dando conta, mas eu já não tenho mais tempo de ficar postando em horário de serviço, ou trocando e-mails, ou mesmo lendo. Ando trabalhando o tempo todo nas minhas vinte horas semanais e às vezes até ultrapassando um pouco esse tempo.

Mas vamos falar de um assunto melhor. Terminei de ler "O Céu Está Caindo", do Sidney Sheldon, e concluo que o livro não é assim tãããão bom quanto eu imaginei que seria, mas ainda assim é Sidney Sheldon. Acontece que, como em "Juízo Final", o 'tema', por assim dizer de "O Céu..." é uma espécie de trama catastrófica misteriosa, quando na verdade eu o prefiro escrevendo simplesmente sobre relações pessoais, envolvendo situações obviamente, mas dando mais ênfase à construção emocional dos personagens.

Como em "As Areias do Tempo", também dele e um dos meus preferidos. Com imensa felicidade comprei esse livro ontem, porque tinha lido um emprestado e queria muito tê-lo. Comprei também outros dois livros que estavam por preços ótimos: "Clarissa", de Erico Veríssimo e "Além do Bem e do Mal", de Friedrich Nietsche. Os dois últimos nunca li, e estou ansiosa por começar, logo depois que terminar "Harry Potter e a Pedra Filosofal", escrito pela J.K. Rowling e emprestado pela Nana.

É, eu realmente andava fora de mim, imaginem que eu não tinha paciência para ler, uma das coisas que eu sempre mais gostei de fazer, independente de que idade eu tinha, que fase eu estava e que ideologias eu acreditava.

Bom, hoje eu vou lá no IPA entregar meus documentos, me desejem sorte (não só pra mim mas pras minhas futuras colegas de facul Bárbara e Chaiane) e um dia eu convido vocês para a minha formatura e arranjo um desconto legal (entretanto não prometo nada) onde eu estiver trabalhando como english teacher.

E por fim (e eu espero que vocês não tenham ignorado os parágrafos anteriores) os tranqüilizo, não, o monitor não está com problema e muito menos os seus olhinhos, eu realmente mudei as cores do meu layout, porque eu sou doida e geralmente não compreendo quando resolvo fazer layouts de cores que eu não gosto muito do tipo... laranja.

  -11:36 -()

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Sexta-feira, Janeiro 6

I know someday you'll have a beautiful life, I know you'll be a star
in somebody else's sky, why can't it be mine?


Este é um post que certamente levará algum tempo para ser escrito, visto que está sendo concebido há várias horas, nas quais muitas idéias surgiram para constituí-lo. E considerando que essa já é a terceira vez que eu tento escrever o primeiro parágrafo, vai demorar mesmo. Tentarei, então, colocar as idéias em ordem cronológica.

Quinta-feira, 05/01/2006
23:50h - Nessa hora, penso em várias coisas que gostaria de fazer, como ouvir música. Mas o cansaço me faz sucumbir à vontade incontrolável de deitar na minha cama e me cobrir com o edredom, pensando em levantar em seguida, mas sabendo que isso não vai acontecer. Como no resto das noites em que isso acontece, eu ia acabar dormindo até o dia seguinte, com a luz ligada mesmo.

Sexta-feira, 06/012006
Entre 00:00h e 04:00h - Eu estava errada, porém. A minha cama tem dois estrados de madeira que, conforme o tempo, foram deixando gasta a madeira principal que os sustenta. Sendo assim, há alguns anos já, de vez em quando os estrados caem, provocando uma situação desagradável durante o sono, agora já interrompido, em que é preciso levantar para ajeitar o estrado, só então podendo deitar novamente. Com o passar das épocas, esses episódios tornaram-se mais freqüentes, atingindo o ápice no período mencionando, no qual me levantei incontáveis vezes. Cansada da situação, peguei outro edredom e o estendi no chão. Joguei almofadas e o meu travesseiro em cima e deitei.

04:00h - A notícia boa é que do chão não é possível cair. E a notícia ruim é que eu não consegui dormir. Me ajeitei em todas as posições possíveis para tentar pegar no sono, esforço esse realizado inutilmente.

04:30h - Eis que eu resolvi então tomar uma atitude mais radical. Tirei o colchão de cima da cama devastada e o coloquei no chão, acreditando estar na rigidez do chão o meu problema. Com a maciez do leito reestabelecida, surge em seguida um problema tão desesperador quanto: calor. Atirei o edredom sabe-se-lá onde e peguei um lençol, que só pareceu me esquentar mais.

05:00h - Percebo que não conseguirei dormir nos minutos próximos e decido ouvir música. Pego o discman dentro da mochila, meu fone de seis metros de fio (calculem alguns minutos perdidos no "desenrolamento" do mesmo) e o escolhido foi "Ten", do Pearl Jam. Essa semana passou o show deles em São Paulo na Band, nós gravamos, e foi emocionantemente liiiiiiiindoooo. Ouvir o Ten, que é um CD que foi comprado há cerca de dez anos, me traz incontáveis memórias, desde a época em que a minha mãe os ouviu no rádio e os descobriu - e mais tantas outras bandas - e nós passamos a idolatrá-los, passando por todas as músicas deles que se tornaram mega especiais pra mim.(Tem até aquela apropriadíssima que eu dedicaria a uma pessoa detestável para quem hoje quase passei por cima do meu orgulho e dos meus princípios escrevendo um e-mail. Quase.)

05:40h - Ao terminar de ouvir o Ten, eu sofro de uma súbita vontade de escutar Nickelback, fenômeno esse muito incomum. Mas peguei o "Silver Side Up" e me pus a ouvir, lembrando sempre como as letras deles são bobinhas mas como as melodias me agradam. Até que o shuffle me trouxe "Just For", que é a música-do-Natal-2002-em-Canela. Nós viajamos para a serra no fim daquele ano, um pouco antes do Natal, e esse era o CD que eu mais escutava na época. Lembro que não estávamos preparados para os inadequados ímpetos de temperatura baixa serranos, e foi assim que vi-me na necessidade de comprar um moletom - achei um com a foto do Kurt Cobain bem barato, apropriadíssimo para minha fase mais "spikes-preto-allstar" de todos os tempos. Hoje em dia ainda uso o moletom, geralmente virado do avesso. (Afinal, eu nem gosto tanto assim de Nirvana.)

06:00h - Geralmente ouvir música me dá algum sono, mas parece que nessa noite nada queria me ajudar. Ainda por cima, eu sabia que acordaria às 7h para trabalhar, excepcionalmente já que trabalho sempre à tarde. Esse fato me convencia de que, apesar de não sentir sono nenhum naquele momento, passaria o dia como um trapo velho devido à noite mal dormida. Mas a essa altura, que foda-se tudo, porque eu estava entediada e não tinha idéia do que fazer. Até que eu tive a brilhante idéia de assistir Arquivo X. Arquivo X! Mais uma vez um mundo de lembranças se abre em meio à bagunça do quarto, com a cama quebrada, o colchão no chão e todo o resto. Quando eu tinha uns doze anos o meu irmão começou a assistir Arquivo X, e eu achava incrivelmente chato. Até que em um determinado mês, em todos os domingos, teve maratona de quatro horas seguidas do seriado. Acabei assistindo com ele. Acabei me viciando.

O tempo passou e o meu irmão deixou de ligar para Arquivo X. Eu continuei esperando ansiosamente cada quarta-feira. Até que, em 2001, em pleno ápice da pré-adolescência e início da fase "roqueira", deixei de assistir. No ano passado, acabei achando as temporadas para baixar em torrent. Baixei tudas e assisti TUDO no período de mais ou menos três meses. (São nove temporadas, mais de duzentos episódios...) Voltando à minha noite de insônia, não consigo me lembrar que episódio tentei assistir, pois devo ter dormido no terceiro minuto da história...

07:40h - Meu pai me chama dizendo que já passa de sete e meia e que eu nunca vou conseguir chegar no CPD às oito. Maravilha. Preguiçosamente rastejo até a cozinha onde tomo um nescau muito forte e volto correndo para trocar de roupa. Não olho mais o relógio, mas calculo que até alcançar a rua devo ter gasto quase quarenta minutos. Ainda passei no banco antes de ir para o CPD, e logo depois de deixar os arredores do HCPA me lembrei que era dia 6. Dia da resposta do ProUni!

11:07h - Trabalho, trabalho, trabalho. Já estou no terceiro atendimento, sentada em uma cadeira confortável no segundo andar da faculdade de medicina, abrindo caixas novíssimas de Windows XP e repentinamente torno a me lembrar do ProUni. Como um dos computadores que eu estou consertando já tem rede, acesso o site por ele. Enquanto a página carrega mando um e-mail para a Chai, que provavelmente deveria estar compartilhando de ansiedade semelhante, perguntando se ela já sabe se conseguiu sua bolsa. Entre instalações de antivírus e Office, coloco meus dados e prendo a respiração até ler... "você foi pré-selecionado". Com mais calma, vasculho tudo e me certifico de que consegui mesmo a bolsa para letras - inglês no IPA. E sim, eu serei uma professora de inglês! \o/ Hora de ligar pra casa, mandar e-mail pra Nana, conter a felicidade - afinal, estou consertando o computador de uma pessoa muito apressada que já está enjoada da minha cara. =/

E acho que já chega. Parece um final de post meio abrupto, mas ele já está suficientemente gigante... E é claro, essa noite será - se eu não dormir subitamente antes em algum canto da casa - mais uma noite passada praticamente em claro, tentando absorver esse e mais um outro mundo de idéias. E Pearl Jam é uma das melhores bandas de todos os tempos, mesmo.


Pearl Jam - Black

  -21:09 -()

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Quarta-feira, Janeiro 4

como assim janeiro é depois de dezembro, se janeiro é o primeiro e dezembro é o último?

Não é intrigante? Fazendo uma analogia, é como imaginar o mundo como o visto no planisfério, quando na verdade ele é redondo. No último domingo vi aquela série do fantástico sobre filosofia, e o assunto era o tempo, como sua contagem podia atrapalhar nossa visão, percepção do tempo em si, e reduzí-lo a uma mera repetição de segundos, de minutos, horas e assim por diante. Interessante.

Hoje era dia de consulta, e a minha médica mais uma vez me chamou de "computadorzinho". Ela disse que eu reduzo meu contato com as pessoas ao necessário, enquanto eu contei pra ela sobre a minha necessidade de ter um tempo pra ficar absolutamente sozinha no meu quarto, fazendo qualquer coisa e até fazendo nada. Estou pensando muito sobre isso, aí está mais uma estranhice sobre mim que eu achava que era normal. Pensei que todo mundo tinha necessidade de ficar um tempo em sua própria companhia.

Estou filosófica hoje, é. Mas por outro lado sinto uma vontade imensa de não me preocupar com nada, não pensar em nada, apenas respirar o ar do mundo e assistir a vida passar. Sendo assim, não tem muitos aspectos da existência que eu queira criticar hoje, nem aspirações sobre o futuro que eu queira enumerar, ou teorias sobre a natureza dos seres (des)humanos e realmente mais nada que eu possa acrescentar. Não ouvi mais nada, não assisti mais nada nem soube de mais nada que eu queira dividir com vocês.

Então, hoje vou ficar por aqui. Estou com uma vontade desesperadora de dormir loucamente um sono longo e tranqüilo. Talvez eu faça isso quando chegar em casa. E fim de post. Corta!

  -16:53 -()

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