
Sexta-feira, Fevereiro 24
Encontro-me em total situação de abandono para com esse blog. Mas digamos que vir até aqui e colocar um layout bonitinho de hiatus seria uma atitude e tanto para alguém que não posta por preguiça. Eu devia mesmo postar.
Eu devia contar que nessas minhas férias eu só tenho dormido e lido, ambas as atividades realizadas vestindo alguma camisola confortável, com os cabelos presos e as franjas afastadas do rosto por milhares de tic-tacs, parecendo uma atleta de ginástica olímpica. Que ontem eu saí com a Cacá, que semana passada fui no cinema com a Nana e a Carol, que comprei um pc novo, que não consigo fazer layouts e mais um monte de outras coisas.
Sendo assim, como eu não consigo escrever, porque a preguiça me domina e me impede de redigir e-mails, posts, comentários e textos em geral (acho que meu cérebro deve estar viajando), terei a honra de convidar o Erico Verissimo a postar no meu lugar. Morram de inveja.
"Vamos, meus amigos. Desçam! Acordem! Eu preciso falar! Preciso dar conselhos a vocês, maldizer os homens e as coisas públicas, ditar normas de governo e de vida, fazer perguntas... Eu estouro! Não agüento mais. É do meu feitio: preciso conversar, conversar, conversar..."
Clarissa, pág. 181
"Seu Amaro, se eu não tivesse medo de dizer uma bobagem, eu ia dizer uma coisa para o senhor. Ia dizer que o senhor é muito parecido com o Pirulito. Por quê? Porque eu sou amiga do Pirulito e ele nem fica sabendo: vive ali dentro do aquário, não vê ninguém, não fala com ninguém e nem fica sabendo que eu sou amiga dele. Pois o senhor é bem assim: vive ne seu quarto, fechado, não fala comigo, não me vê e nem fica sabendo como eu sou sua amiga. O senhor é muito parecido com o Pirulito. Eu sei que isto é uma bobagem de menina, mas o senhor me desculpe: é o que eu sinto."
Clarissa, pág. 159
"Quero escrever neste diário tudo o que penso, tudo o que sinto. Mas a gente nunca escreve tudo o que pensa, tudo o que sente. Por que será que só somos sinceros pensando? (...) E se eu morrer? Se eu morrer, depois da missa do sétimo dia mamãe toda de preto vem chorando reunir as minhas coisas. Encontra este livro, abre, lê e fica sabendo todos os meus segredos. Não. Preciso destruir este diário antes de morrer. O pior é que a gente nunca sabe quando vem a hora da morte. (...)
Nunca vi um diário mais bobo que o meu."
Música ao longe, pág. 10
"O vigário aqui de Jacarecanga fez hoje um sermão contra os comunistas. O que não compreendo é como depois ele disse que todos eram filhos de Deus e todos mereciam igual dose de felicidade. Não compreendo.
(Eu acho mesmo que sou muito boba, muito burra, muito tudo que existe de ruim.)"
Música ao longe, pág 44
Sabe, eu queria um dia chegar ao nível da unha do pé do Erico Verissimo. E não precisa nem ser a do dedão, a do mindinho já serve.
-10:14 -()
Domingo, Fevereiro 5
Tentativa n°1
Faltando pouco para o almoço, a rapariga deitou-se em sua cama no sentido contrário, sentindo as pálpebras pesarem e as paredes do quarto girarem misturando-se. Ao passar do que pareceram ser dez segundos, ela acordou-se com a mãe chamando-a e pôs os olhos sobre uma verdade cruel: seus óculos novos estavam sobre o "Harry Potter e o Cálice de Fogo", e a haste direita ao lado. O Pedro, disse a rapariga dos óculos quebrados, em desespero, o Pedro quebrou-me os óculos, eu nem bem fechei-me os olhos e quando os torno a abrir o óculos está aqui, quebrado, como se eu estivesse tendo um sonho ruim. O calor insuportável, o suor escorrendo-lhe pelas costas, os óculos com a haste debilmente colada com durex entortando-se no apoio de seu nariz e uma enorme quantidade de assuntos pendentes a discutir consigo mesma - a rapariga dos óculos quebrados achava que nada mais poderia piorar.
Tentativa n°2
Fui ontem ao Beco Diagonal comprar meu material escolar para o novo ano em Hogwarts. Na verdade eu ia apenas comprar alguns ingredientes de poções pedidos pela minha mãe mas resolvi aproveitar a viagem para comprar tinta, penas, pergaminhos e uma varinha nova. Ao chegar no caixa, percebi que não tinha passado em Gringotes para pegar minhas moedas de ouro, tinha no bolso apenas um cartão magnético de dinheiro de trouxas - que foi aceito, mas não tinha saldo para comprar tudo, então acabei levando apenas os ingredientes.
Tentativa n°3
Sou mesmo uma workaholic. Depois de adiar ao máximo minhas férias do trabalho, fui obrigada a fazer uma pausa de um mês - se alguém me dissesse que hoje já é o último fim de semana de fevereiro, eu acreditaria, porque essa semana demorou para passar como nenhuma outra em muito tempo. Estava precisando de descanso, quando me juntei ao FBI, digo, CPD, pensei que poderia ajudar as pessoas, proteger o povo dos criminosos, digo, os computadores dos vírus. Às vezes são cansativas as horas passadas em um tribunal, realizando um processo, digo, em uma sala quente fazendo uma varredura do anti-virus em modo de segurança. Às vezes os casos são tão insolucionáveis que são arquivados sem conclusão, digo, às vezes o problema é no hardware e não há mais nada que eu possa fazer, conto lamentando ao usuário. Às vezes acabo tendo que fazer fogo com minha arma, digo, forçar uma formatação com o boot tools. Às vezes o ferimento que faço ocasiona uma morte, digo, a formatação elimina arquivos importantes, mas foi necessário, foi o que eu pude fazer. Há muita responsabilidade em jogo, mas o trabalho dá um ritmo à minha vida, acho que não sei descansar, acho que não sei ficar sem fazer nada.
Tentativa n°4
Foi como uma facada, uma curva brusca revirando o estômago, uma queda de um precipício, um tropeço não adivinhado. Todos os planos que eu já havia feito foram por água abaixo, quando pensei que já tinha a batalha ganha. Conto às pessoas, comprimindo os lábios em pesar, mas tento fingir entusiasmo com a possibilidade de, perdida minha bolsa no IPA, ter meu nome figurando entre os aprovados da UFRGS em 2007. Não queria basear um ano da minha vida em esperanças, mas acredito que seria pior não ter nenhuma em que me apoiar.
"- I'm stuck - said Charlotte. - Does it get better?
- No. Yes. - said Bob. - You'll figure that out. I'm not worried about you."
Lost in translation, Sofia Coppola
Desisto...
Quando meu pai voltar da praia ele irá buscar minha velha armação com as lentes novas e mandar arrumar a nova recém quebrada. Até lá eu fico empurrando o óculos nariz acima.
Amanhã voltarei ao Zaffari, dessa vez com a minha carteira, para comprar aquelas hidrocores lindas que eu tive que abandonar no caixa assim que dei pela ausência de todo o meu poder monetário, esquecido em casa. Se eu não tivesse esquecido o cartão do meu pai no bolso ou tivesse posto outra calça, não teria comprado nem o cheiro verde e o brócolis. Cabeça de vento dos infernos.
Sinto falta de rotina, ficar grudada na minha mãe o tempo inteiro definitivamente não dá certo, temos algumas incompatibilidades irreparáveis de convivência. E apesar de tudo o que eu reclamo, morro de saudades do trabalho.
Estou tentando reerguer os meus planos para este ano, agora que a correnteza mudou. Cursinho, estudos, vestibular será o meu nome. Vou apostar com algumas pessoas o aparecimento do meu nome no listão, será um incentivo a mais.
Melhor isso tudo ou "quero muito postar mas não sei o que escrever"?
Semisonic - Closing Time
-22:33 -()
