
Terça-feira, Julho 31
oh, I know, it's coming back.
and I say oh, oh lord, it's driving me mad.
Darling, You're Mean, The Duke Spirit
Funny Quote of the Day - Don Marquis - "Procrastination is the art of keeping up with yesterday."
Vinte e cinco créditos. Três a menos, somente, do que o semestre anterior. Semana passada fiz a matrícula. Alguns minutos pra decidir um semestre inteiro... Que medão de escolher mal! Por isso mesmo, só peguei as obrigatórias e uma eletivazinha coisa-pouca: francês. Vou aprender francês! Oh! :~
Amanhã começam as aulas e só hoje começo a pensar em separar folhas, tirar do estojo canetas que estejam falhando, guardar as folhas do semestre passado que, sim, eu ainda não guardei, mas pensar em tudo isso me dá uma enorme preguiça. Não preguiça de propriamente separar as coisas e guardar as outras, mas sim de recomeçar nos estudos.
Talvez o trauma do final de semestre passado tenha sido muito grande; nem ler eu consegui nessas férias. Peguei um conto do Fitzgerald e parei na terceira página, nunca mais toquei no livro. Até tenho vontade de ler, mas a preguiça não me deixa. É uma voz que me diz que eu vou ter bastante coisa pra ler no semestre seguinte e que o tempo de férias precisa ser preenchido com outra coisa. E claro, Harry Potter não conta. Li o último livro. Não spoilearei ninguém.
Mas voltando ao assunto. Apesar da preguiça e do trauma, me encontro também esperando ansiosamente por amanhã. Rever pessoas, conhecer novos professores, tudo o mais. Primeiros dias são sempre legais, ainda não tem muitas obrigações. Além disso, embora eu às vezes tenha a impressão nítida de que odeio rotina, eu acabo concluindo que eu realmente preciso de uma, e de preferência uma que acarrete saídas à rua e responsabilidade, senão eu começo a me sentir isolada e inútil.
Se bem que até que eu saí bastante nessas férias. Nana e eu fomos no show do Nando Reis sábado, aliás, falando nisso. As duas só sabíamos cantar as músicas mais conhecidas, mas mesmo assim foi divertido. Deu vontade de baixar todas as músicas comprar todos os discos dele depois. Mas sabe como é, eu tenho preguiça...
Snow Patrol - Ways & Means
-11:35 -()
Domingo, Julho 22
sometimes, when sailors are sailing,
they think twice about where they’re anchoring
and I think I could make better time of my time on land.
If Work Permits, The Format
O Myspace é uma coisa incrível, não acham? A pessoa pode colocar todo o tipo de qualquer coisa que quiser lá; músicas, vídeos, fotos. Pode adicionar suas bandas preferidas como amigos. Pode baixar uma ou outra música daquele projeto de um músico desconhecido com outro de quem ninguém nunca ouviu falar que, por alguma razão obscura, nenhum selo quer lançar. Pode entrar na página do Michael Einziger e ver tanto fotos de sua mão inchada e machucada pela tendinite quanto baixar suas músicas solo. E assim por diante.
Eu odiava páginas do myspace. Achava-as incompreensíveis, bagunçadas, feias, sem propósito, sem sentido. Mas, com esse tempo livre das férias, resolvi compreendê-las. Esses dias andei configurando a minha página, criada há alguns meses; mudei a aparência, adicionei pessoas, adicionei bandas! Aquilo pra mim é um lugar de música, como o Lastfm. E é um lugar que me lembra de como eu queria saber tocar instrumentos e fazer música. Colocar minhas próprias músicas ali pras pessoas ouvirem e baixarem. Que bonito seria.
Mas não daria certo, porque minhas habilidades musicais são semelhantes às minhas habilidades de condução de pedalinhos. "Qualquer um dirige um pedalinho", pensava eu, até que, ontem, nós tivemos a prova de que não é bem assim. Era a primeira visita à Redenção da Nanda, natural de Soledade. Eu, ela e a Carol alugamos caramente um pedalinho verde e vermelho desbotado por quinze minutos e passamos pelo menos cinco deles tentando tirá-lo do, uh, 'estacionamento'. Eu pedalava. Tinha uma direção que era enfeite. Nós dávamos voltas, batíamos nas pedras, e nada de sair do lugar. O que dirigia mesmo a coisa era uma alavanquinha no meio. Como eu poderia adivinhar? As pessoas riram muito da gente.
Mais tarde, na Lancheria do Parque, Nanda e eu comíamos batatas fritas em meio a risadas e fechamentos de contratos e ao som de conversas altas e chuva. É estranho. Ao contrário do myspace, a Nanda não lembra música. Nós nunca falamos de música (fora, é claro, o hino do nosso movimento ideológico). Foi um passeio de dia-do-amigo, e eu senti falta de todos os amigos que eu tenho e já tive. Eu quis que todos se sentassem com a gente naquele dia de sapatos sujos de barro e naufrágios de pedalinho.
Mas um velhinho que passava não se conteve: roubou uma das nossas batatinhas.
The Format - Snails
-18:42 -()
Quarta-feira, Julho 18
destiny, hold my hand, protect me from the world.
Anyone Can Play Guitar, Radiohead
Layout novo: a coisa mais colorida e confusa que alguém já viu. Entretanto, a chuchuzisse do Beck pode causar alguma impressão de que ficou bonito.
É difícil chegar aqui e colocar um layout coloridinho em um dia em que só se fala de tragédia. O avião que se acidentou ontem, em São Paulo, durante o pouso, levou as vidas de muitas pessoas e as esperanças de outras tantas. O vôo tinha saído daqui, de Porto Alegre. Eu ainda estava acordada quando divulgaram a lista dos passageiros, e eu fiquei ouvindo cada nome.
Nenhum conhecido.
Alívio pra mim. Desespero pra alguém.
Uma menina da letras estava entre as vítimas, eu soube depois. Que eu saiba, não a conhecia, talvez de vista.
Qualquer coisa que qualquer pessoa diga num dia como esse pode, mais facilmente que o normal, soar de mau gosto ou inapropriada, fútil ou despropositada. Nesses momentos todos se perguntam o que estão fazendo aqui, o que esperam da vida, e imaginam a miséria que seria morrer assim, de repente, sem ter realizado tantas coisas que gostariam e que, por algum motivo, ainda estavam esperando para fazer.
As conclusões a que todos acabam chegando são que as obras na pista do aeroporto de Congonhas deveriam ter sido concluídas devidamente, que ninguém sabe até quando vai viver e por isso precisamos viver-o-agora, que aviões são muito seguros até o momento em que algo dá errado. E o fato de que esse é o único assunto de que se fala hoje e que amanhã já estará esquecido nunca vai mudar o que aconteceu com as vítimas e suas famílias, nada vai.
A quem se safou de mais essa, só resta agradecer.
Pensar em quem a gente gosta e que, felizmente, ainda continua com a gente até a próxima tragédia, grande ou pequena, inesperada ou não, não importa.
-16:25 -()
Sexta-feira, Julho 13
blame the devil for the things you do,
it's such a selfish way to lose.
Nobody's Fault But My Own, Beck
Ou pelas coisas que você não faz, também.
Ainda não cumpri nenhum dos planos feitos para as férias (incluindo um novo layout). O que tenho feito mesmo é viver de música; nunca baixei tantos cds, nos últimos dias tenho atulhado meu hd de vídeos do Beck, na semana passada passei o sábado inteiro assistindo aos shows do Live Earth esperando coisas conhecidas e conhecendo coisas novas.
Plano da Philips e da Microsoft para ganhar alguns milhões ou não, boa vontade do tio Al ou não, o que importou pra mim foram os shows. Ridiculamente curtos, transmissão mal-organizada aqui no Brasil e etc., mas vale. O menino do layout tocou com os Chili Peppers e foi uma das coisas mais estranhas do mundo vê-lo na tv, e ainda mais no resumo do evento que passaram no domingo, na Globo. Josh na Globo? Hã?
Que tal falar de coisas do mundo exterior?
Pan. Digo, Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro. Que lindo. Eu gosto dessas coisas, eventos que modificam a rotina, seja a minha ou a de todo mundo. Não que o Pan me afete muito; ele só me lembra como eu queria ter sido uma esportista. Eu poderia fazer uma lista dos esportes que eu gostaria de jogar...
Ginástica olímpica seria o primeiro item. Quando eu era pequena, morria de vontade de fazer mas, por motivos financeiros, não podia. Muito antes de a Daiane dos Santos fazer sucesso, eu já acompanhava a ginástica nas olimpíadas ou quando quer que aparecesse alguma competição na tv. E ficava querendo dar aqueles saltinhos e cambalhotas.
Vôlei constaria com certeza; na escola de primeiro grau eu jogava (mas era muito ruim). Só que eu era muito ruim (mas eu jogava). Então, eu era seguidamente motivo de chacota; ninguém queria me escolher para o time ou me passar a bola. Se ela caía em mim e eu, obviamente, fazia bobagem, as pessoas brigavam comigo. Não tinha nada que eu quisesse mais, naquela época, do que ser uma boa jogadora de vôlei.
Basquete é uma vontade mais antiga. Quando eu era bem pequena, eu queria ser a Hortência e sempre pedia pra minha mãe prender o meu cabelo bem alto, igual ao dela. (Será que é por isso que, até hoje, eu tenho mania de prender o cabelo?) Em um Natal, ganhei uma tabela e uma bolinha, porque a família inteira sabia que eu queria jogar basquete. Com o tempo, a tabela passou a ficar coberta de outros brinquedos em caixas.
Futebol também estaria na minha lista, mesmo que eu não goste de assistir jogo nenhum (ou quase nenhum, enfim...). Fracassada no vôlei, eu tinha a idéia de que correr atrás da bola e chutá-la com toda a força era muito mais fácil do que dar tapinhas para mantê-la no ar. E até que, nas poucas oportunidades em que eu joguei futebol na minha vida, não me dei tão mal assim.
O problema é que eu não virei atleta. O máximo que eu faço são uns malabarismos com os trabalhos da faculdade (as vezes até umas mágicas!), umas caminhadas de uma quadra e meia pra levar e buscar o meu irmão no colégio e, de tempos raros em tempos escassos, um ou outro surto de voltas diárias de bike no parque.
As únicas partes do corpo que eu vou exercitar nesse Pan, portanto (além é claro da digitação, que, segundo fontes seguras, já virou movimento involuntário, como os batimentos do coração), são os ouvidos mesmo. Dêem licença, então: preciso montar uma playlist nova.
Damien Rice - Woman Like a Man
Edit: Esqueci completamente de mencionar, ontem, o negócio de ser dia do rock. (Além de que era sexta-feira treze, também.) Bem, o dia do rock é só uma data comercial criada pela mídia e blablabla. (Ou seria, se as pessoas fossem acostumadas a presentear seus entes roqueiros... o que não seria tão má idéia!)
-11:35 -()
Terça-feira, Julho 10
something has changed, but then everything changes.
Snowbirds, The Devlins
Bem, sem mais demoras, vamos responder à dra. Lidiana de Moraes que, depois de muitas pesquisas, veio nos informar a todos sobre os perigos do uso dos medicamentos Stadium Arcadium, Light Grenades e Young Modern, respectivamente fabricados pelos laboratórios Red Hot Chili Peppers, Incubus e silverchair. Entre comprovações de comprimidos constituídos de farinha e água, denúncias de problemas com a validade dos lotes encontrados nas farmácias e outras faltas sérias, a argumentação da doutora realmente nos leva a rejeitar tais remédios e substituí-los por outros para curar nossas mazelas e enfermidades. No entanto...
É curioso como as três bandas estão ligeiramente interligadas pra mim. O Red Hot Chili Peppers não era das bandas que eu mais amava até 1999, quando eles ressurgiram com Californication e eu parei para prestar mais atenção. Eu nunca tinha ouvido falar em silverchair até esse mesmo ano, e foi assim que as duas bandas surgiram juntas para mim, com seus singles chegando às rádios na mesma época. Minha mãe, roqueira incurável, comprou o Californication; eu, o Neon Ballroom.
Para mim os dois andavam em dupla; dois cds novos na prateleira, dois interesses novos na minha vida, dois shows em seqüência no Rock In Rio III... Só que o silverchair em primeiro lugar, sempre. O reinado deles só foi quebrado em 2003, com o pesado desapontamento de vê-los virem ao Brasil e não poder ir a nenhum show, somado a um leve desapontamento no ano anterior (chamado Diorama). Eis que, num dia despropositado, resolvo do nada ouvir um disco de uma banda da qual nunca tinha ouvido nada: Incubus. E o disco era Morning View. E ele vieram para o topo. O que é mais irônico é que agora, quatro anos depois, ele virão ao Brasil pela primeira vez, na mesma situação que ocasionou meu afastamento do silverchair.
Hoje não funciono mais em topos. Não há mais uma coisa que seja a única que eu ouça e considere a melhor do mundo (embora o meu profile do last.fm até possa sugerir isso...) O Incubus, que liderava soberano desde 2003, passou a dividir as playlists com muito mais gente. O silverchair, durante as férias prolongadas, pegou um pouco de pó (confesso). O Chili Peppers, sempre correndo pelas beiradas, aproveitou o efeito fulminante da carreira solo de John Frusciante em mim, no ano passado, para subir vários degraus de importância. E bem enquanto isso acontecia, surgiu Stadium Arcadium. *fim do flashback*
Quando ouvi Dani California, não gostei muito; achei-a sem propósito. Se eu não tivesse logo baixado o disco, se tivesse esperado ouvir os próximos singles, Tell Me Baby e Snow ((Hey Oh)), pra fazê-lo, com certeza o disco cairia tremendamente no meu conceito. Felizmente, porém, eu o baixei antes disso. O fato de ser duplo não me criou expectativas ruins nem boas; ao contrário do que normalmente aconteceria, não dei atenção ao fato. Simplesmente juntei as músicas numa playlist e comecei a escutar. E gostei. Cada uma era melhor que a outra!
Não consigo encontrar, por entre a beleza de Slow Cheetah, Wet Sand, We Believe e Death of a Martian ou o sacudimento de Hump De Bump, Charlie, So Much I e Turn It Again, a controvérsia apontada pela Rolling Stone (e pela Lidi), de "banda que toca para si". Não vejo de onde sai a idéia, porque pra mim, o disco não faz mais que continuar o que eles vinham fazendo. A diferença básica entre Stadium e meu também amado By The Way, a meu ver, é que o novo tem muito mais do antigo funk, meio esquecido pelo antecessor, que era carregado de lindas melodias, rendendo momentos de perfeição (como Venice Queen) mas também de excesso (Tear).
Já os problemas com o laboratório Incubus, segundo a receita da dra. Lidi, não eram tão sérios a ponto de recorrer a interdições ou outras medidas drásticas. O problema dela era com A Crow Left Of The Murder, e não com Light Grenades. Vamos confessar: o meu também. Morning View era uma das coisas mais perfeitas que eu já tinha escutado, como ser superado? Era uma evolução perfeita dos trabalhos anteriores, era um leve aperfeiçoamento de Make Yourself, já tão perfeito em si. Mas aí eis que o baixista, Dirk Lance (ou Alex Katunich, como preferirem), deixa a banda. Eu não ia com a cara dele mesmo, mas essa coisa de trocar integrantes sempre atrapalha o caminho natural das bandas. E assim, o caminho que Morning View vinha traçando, rente ao mar e sem sapatos, foi desviado.
ACLOTM veio, bem diferente do que eu esperava. Nas primeiras ouvidas, que decepção! Depois, porém, me apeguei tanto a ele que não podia parar de ouvir. Mais tarde, o afastamento temporal me permitiu uma opinião mais equilibrada entre os extremos: um ótimo disco, mas em um caminho diferente dos discos anteriores; o Brandon cantava diferente, os barulhos do Kil eram diferentes, a guitarra do Mike, principalmente, estava diferente. Light Grenades, pra mim, é o passo seguinte mais natural possível depois de ACLOTM. O caminho foi desviado depois do MV; nem melhor, nem pior, diferente. Agora, ele segue seu rumo. (O caminho segue seu rumo? Ficou estranho.) Outro ótimo disco, que eu amo, como todos os outros. Porém... Preciso confessar que eu tenho a maior curiosidade de saber como seria o som deles se o Dirk não tivesse saído. Seria melhor ou pior?
Agora o mais difícil...
O silverchair também me decepcionou, é claro que sim. Meu disco preferido é e sempre será Neon Ballroom, porque Diorama decretou que eles jamais voltariam a ser como eram até o Neon. Não que eu não goste do disco; adoro, mas não era o que eu esperava na época. Ali, eles deixaram para trás a história que tinham e começaram outra. É como se fossem duas bandas diferentes; gosto das duas, mas prefiro a antiga. No entanto, aceito a banda nova, e gosto dela.
Eu também achava horrível que a minha banda preferida tivesse virado um circo ambulante, com direito a figurinos e caretas (falando aqui basicamente do Daniel, é claro...), mas eu me vi obrigada a dobrar a língua após assistir ao show da Across The Night Tour que eles lançaram em DVD (entitulado Live From Faraway Stables, e se não me engano foi gravado em Newcastle, cidade natal da banda). Com dois atos, um mais... "pomposo", digamos, e outro mais "puro rock", as caretas, os trejeitos e até a roupa de soldadinho de chumbo de Daniel Johns me convenceram e emocionaram (meu deus, que piegas).
Quando eles anunciaram que tirariam umas fériazinhas sem importância, não houve praticamente ninguém que guardasse esperanças de um retorno. Eu, cá comigo, pensava que Ben e Chris finalmente tinham cansado de seguir as loucuras do amigo e que Daniel acabaria se dedicando a projetos paralelos (como Dissociatives, que é Daniel + Paul Mac, e que eu adoro). Quando eles voltaram, então, eu fiquei tão surpresa que não sobrou lugar para expectativas; eu só sabia pensar "quero ver o que vai sair". E o que saiu, Straight Lines, pouco antes do disco, eu achei lindo. Simplesmente não conseguia parar de tocar a música.
Na primeira ouvida, Young Modern me pareceu uma mistura simples de Diorama com The Dissociatives (único disco da dupla com esse nome; em 2001 tinham lançado um EP chamado I Can't Believe It's Not Rock). Na segunda ouvida, já saí marchando com If You Keep Losing Sleep e pulando com Mind Reader. Todos os movimentos básicos do rock concert sugeridos pelo Blue Man Group podem ser aplicados a esse disco (inclusive o da perna atrás da cabeça!); o que os impede de serem considerados rock'n'roll, então? Já faz tempo que silverchair não é uma banda convencional; nem mesmo convencional entre os que se diferenciam. Caretas, roupas cheias de babados? Há tempos que vale tudo. E nós, fãs, já estamos acostumados com todo mundo criticando as excentricidades do Daniel.
Minha conclusão, portanto, é que os remédios podem continuar sendo receitados pelos médicos sem problema algum; é preciso notar, apenas, que a composição deles foi modificada e que, particularmente, o medicamento Young Modern agora deve ser indicado para patologias diferentes das às quais seriam aconselháveis Frogstomp, Freak Show e Neon Ballroom.
PJ Harvey - Highway '61 Revisited
-11:08 -()
Quinta-feira, Julho 5
you wouldn't believe what I've been thru
you've been so long.
Cat People, David Bowie
Devo dizer que já comecei a escrever o post-resposta ao da Lidi (se quiserem, podem ir lendo-o porenquantamente, afinal, como diz a querida profa. Alice, a intertextualidade só pode ser compreendida se o leitor tem conhecimento do texto ao qual o texto que ele está lendo se refere).
Mas, como eu dizia, embora eu já tenha começado, ele ainda não está pronto. Está ficando assustadoramente enorme!
Bom, vim aqui dizer outras coisas.
Tá, eu me calei até agora, mas eu preciso falar da Avril Lavigne. Eu preciso manifestar minha indignação quanto ao que ela tem feito... Vamos lá, todo mundo que já lê isso aqui há algum tempo sabe que eu gostava dela. E eu gostava bastante, até. Um belo dia, porém, ela acordou com vontade de virar tudo o que ela se colocava contra no início da carreira: afogou o cabelo em água oxigenada, trocou as calças largas por shorts minúsculos e meias arrastão, aposentou os tênis e passou a usar saltos altíssimos, sobre os quais agora teima em tentar fingir que sabe dançar em coreografias idiotas em seus novos shows. Isso tudo é ridículo, o ensaio apelativo que ela fez quase nua é ridículo, o remix de sua música utilizando-se da nova fórmula "loira+rapper=$$" é ridículo, mas nada é mais ridículo do que o fato que finalmente me levou a falar.
Eu li, e baixei o vídeo para comprovar, que Avril Lavigne passou uma vergonha horrorosa um dia desses quando, em algum prêmio ou qualquer coisa assim, teve que ler em um teleprompter ou algo que o valha o nome de David Bowie. E leu David "Bawie". Ora, claro, qualquer um pode se enganar; as letras "bow" em inglês realmente têm essa pronúncia usualmente. O problema foi ela ter se justificado dizendo que "não sabia como era a pronúncia", o mesmo que admitir que não conhecia David Bowie. O que também não é nenhum pecado, afinal, você pode ser uma pessoa que vive com os olhos e ouvidos fechados, ou que não se interessa nem um pouco pelo rock clássico. A não ser, é claro, que você afirme com todas as letras e pretensões e para todos os cantos que é uma rock chick. Aí você meio que tem que saber quem é David Bowie. Né.
Falando em prêmios, eu e a minha mãe tínhamos planejado assistir ao Prêmio Multishow de Música Brasileira, mas as duas esqueceram, e, quando lembramos, já estava quase no final. No momento em que eu me sentei no sofá, parecia perseguição: apareceu Dinho Ouro Preto, o rei da mediocridade. Eu o detesto infinitamente, e no momento em que eu me sento para assistir ao prêmio, a criatura se materializa na tela. Ele apresentou o prêmio de melhor cantora, e a cena foi completamente horrenda. Em primeiro lugar, ele fez questão de relembrar a todos que tinha ganho um prêmio, com a célebre frase "já estava enchendo a lata para comemorar". Depois, relembrou-nos também que possui pés-de-mola e ficou dando pulinhos ridículos sem o menor propósito. A seguir, anunciou direto quem era a vencedora, para depois, com as mãos na cabeça, ajoelhando-se no chão e agarrando-se no carinha que segurava o prêmio (as três reações praticamente ao mesmo tempo), lembrar que deveria, primeiro, mostrar as indicadas. Quando Ana Carolina chegou para receber o prêmio, ele desatou a discursar sobre como sentia muito por ter se enganado e sobre como aquilo tinha acontecido porque ele estava muito emocionado... Até que a Ana Carolina tomou a atitude que todos queriam tomar e empurrou-o para relembrá-lo de que era a hora de ela dizer que estava emocionada.
Almocei com a Nana hoje, e foi esquisito pois estávamos as duas numa espécie de sintonia no que se refere aos nossos humores. O que é raro, porque geralmente, se uma está felizinha, a outra está tristonha. Além disso, voltei àquelas bandas do CPD, sempre muito estranhas agora que já fazem parte do passado há quase um ano. Foi tão... bizarro. Me senti andando em um mundo perdido, abandonado, uma estrela que já parou de explodir mas ainda dá pra enxergar o brilho.
Collective Soul - After All
-20:48 -()
Domingo, Julho 1
they know your secrets and you know theirs...
this town is crazy, nobody cares.
Lost Cause, Beck
Um de julho.
Um de férias.
Me encontro estranhamente recusando qualquer opção de leitura.
Me encontro estranhamente procurando artigos na internet que não sejam em inglês.
Digamos que era realmente hora de parar um pouco.
Um mês, para ser mais exata.
Um, hoje. Daqui a cinco minutos estarei dizendo "trinta de julho, tá acabando".
O que fazer com tantos dias sem obrigações?
Geralmente, o que me acontece em épocas assim é ficar filosofando em círculos pra não chegar a nada conclusivo. Dessa vez, quero fazer diferente. Quero pôr alguns planos em prática, fazer algumas coisas que venho adiando. É certo que toda vez que entro em férias tenho esses planos (e inclusive o plano maior de realizá-los), mas... O que resta é esperar que eles não fiquem para as próximas férias. (Como se esse 'esperar' desse a idéia de que tudo não depende de mim).
Um bom começo para uma viagem filosófica seria essa coisa, eu e a Nana andamos conversando brevemente, ter um blog e querer escrever livremente nele, mas ficar pensando em quem pode estar lendo, em quanto queremos revelar a essas pessoas e a quaisquer outras, o que queremos passar... Dá horas de pensamento, posts pequenos e enigmáticos (daqueles cheios de frases que querem dizer coisas que não podem ser ditas e dos quais, como resultado, ninguém entende nada) e até vontade de se perguntar: por que escrever em blog se o assunto é privado?
Vou ficar devendo pra ela um post-resposta. Vou escrevê-lo, está na minha lista de coisas a fazer nas férias.
(Ou seja, melhor cruzar os dedos...)
-13:17 -()
